História

 

Bosque da Noruega, Bosques, Skaukatt, Wegie, Norsk Skogkatt, Chat des Forêts Norvégiennes … tantos nomes para este lendário felino. A sua história poderia começar tal e qual a um conto de fadas, com “Era uma vez…”.

Na mitologia Nórdica, estes gatos têm poderes extraordinários. Por exemplo Freya, deusa do amor, beleza, fertilidade e do lar, viajava sobre o céu numa carroça dourada flamejante puxada por dois gatos gigantes mágicos. O seu filho Thor, deus da guerra e das tempestades foi incubido de levar um gato dos bosques na sua jornada a Jotunheim. Gato tão grande e pesado que nem mesmo o próprio  Thor o conseguia levantar.

Contam as lendas que felinos encantados vagueiam pelas florestas escandinavas desde há séculos,  desaparecendo e reaparecendo conforme a sua vontade. Alguns acreditam que os Bosques da Noruega eram fadas que pertenciam à floresta. Até que eventualmente, estes gatos acabaram por sair dos bosques para viver lado a lado com os agricultores, sendo altamente recompensados pelas suas habilidades de caça. Os Vikings começaram então a navegar com estes gatos da floresta de modo a controlarem as infestações de roedores dentro dos seus drakkar, e acredita-se que tenha sido este o motivo da numerosa presença de gatos de pelo semi-longo por toda a Normandia.

A origem destes felinos é um mistério coberto pela escuridão do tempo… Mas possivelmente a explicação biológica para o desenvolvimento do Bosque da Noruega é que os seus ancestrais (provavelmente europeus de pêlo curto que se espalharam pela Noruega assim como por todas as outras partes da Europa na idade pré-histórica) passaram por uma selecção natural das condições climáticas rigorosas das florestas escandinavas, e apenas os exemplares com mais pêlo, e com outras adaptações, sobreviveram.

O que é certo é que aos poucos estes gatos do bosque passaram a fazer parte do dia-a-dia destes agricultores, entrando nos seus contos de fada e histórias de folcore….

1912: Publicado o livro Sølvfaks

1912: Publicado o livro Sølvfaks

Em 1912 o escritor Norueguês Gabriel Scotts escreveu uma livro para crianças  muito conhecido com o título “Sølvfaks” (Silverfaks), onde a personagem principal era um gato dos bosques.

1930’s: Surge a ideia de reconhecer oficialmente o Bosque da Noruega

1930’s: Surge a ideia de reconhecer oficialmente o Bosque da Noruega

Nos anos 30’, a população Norueguesa interessada em felinicultura começou a prestar atenção ao gato dos bosques, debatendo a ideia de o reconhecer oficialmente. Em Oslo 1938, é apresentado pela primeira vez um gato dos bosque numa exposição tendo sido julgado por um juiz dinamarquês bastante entusiasta Knut Hansen. No mesmo ano Haldis Rohlff fundou o clube “Norsk Rasekatt Klubb”.

1939: A Segunda Grande Guerra

1939: A Segunda Grande Guerra

Em 1939 a segunda guerra mundial estourou e todo este projecto foi interrompido.

Princípio dos anos 70: A ideia de reconhecer os Bosques ganha novamente força

Princípio dos anos 70:  A ideia de reconhecer os Bosques ganha novamente força

Só a partir do início dos anos 70’, depois da segunda guerra mundial e quando se reparou que o gato dos bosques, devido à expansão urbana da Noruega, enfrentava perigo de extinção, é que realmente o programa de criação teve início. Com a fundação do clube NRR “Norske Rasekattklubbers Riksforbund” (Associação Nacional Norueguesa de Gatos com Pedigree) em 1963, o reconhecimento do raça do gato dos bosques era nesta altura uma questão de orgulho para o seu presidente, Carl Fredrik Nordane.

1973: O Bosque que marcou a história

1973: O Bosque que marcou a história

Em 1973, os membros do Comité de Criação viajaram para Oslo  para ver dois gatinhos que viviam na casa de Egil e Else Nylund, que mais tarde seria aclamada como a “Mãe dos Bosques da Noruega”. O comité tinha ouvido falar de um magnifico exemplar vermelho, mas as lágrimas de emoção caíram quando eles viram o gatinho castanho tigrado com branco, Pan’s Truls, um exemplar glorioso que se tornaria o primeiro protótipo da raça Bosques da Noruega.

1975: Clube Norsk Skogkattring

1975: Clube Norsk Skogkattring

Gradualmente um grupo de entusiastas tornou-se envolvido pela criação desta raça, e em 1975 é fundado o clube Norsk Skogkattring.

1976: Reconhecimento Provisório da Raça

Em 1976 os noruegueses contavam aproximadamente com 100 gatos com pedigree, e nesse mesmo ano na Assembleia Geral da FIFe em Wiesbaden, o Bosque da Noruega foi reconhecido provisoriamente. Depois viria a prova de fogo, a Assembleia Geral da FIFe, a 26 de Novembro de 1977 em Paris.

Novembro de 1977: O Bosque da Noruega é reconhecido oficialmente!

Novembro de 1977: O Bosque da Noruega é reconhecido oficialmente!

Enquanto todos os entusiastas dos Bosques da Noruega ficaram sentados e nervosos em suas casas, Carl Fredrik Nordane e Arvid Engh viajaram para Paris enquanto delegados da NPCA. Nesta assembleia geral foi apresentado imenso material fotográfico (nomeadamente magnificas fotografias de Pan’s Truls e outros gatos) e documentação de registos, demonstrando também 3 gerações de gatos dos bosques.

 

Euforicamente da plateia, Helen Nordane ligou para a Noruega nessa mesmo dia. Bom e aí, os rostos felizes e o brandir das bandeiras Norueguesas contam melhor o resto da história!…

 

Carl Fredrik Nordane e Arvid Engh no seu regresso a Oslo de Paris – recebidos pelo próprio Truls © Else Nylund

 

 

Truls passou assim a ser uma celebridade, sendo ele o foco da televisão Norueguesa. Nos jornais as noticias seguiram com uma cobertura mais ampla.

 

O famoso Premier Internacional Pan’s Truls © Else Nylund

 

Desde então o Standard dos Bosques da Noruega foi reconhecido, passando estes a serem avaliados por tipo e não por cor, mesmo que subdivididos em grupos para efeitos das próprias exposições.

Dezembro de 1977: Os primeiros certificados são atribuídos

Dezembro de 1977: Os primeiros certificados são atribuídos

A Dezembro de 1977 durante a exposição Internacional em Asker, foram atribuídos pela primeira vez no mundo Certificados de Aptidão a Campeão (CAC) aos Bosques da Noruega, Stina av Baune (à esquerda) e Colosseums Anton Prikken.

1985: Nasce a primeira ninhada de Pan’s Polaris.

1985: Nasce a primeira ninhada de Pan’s Polaris.

GIC Pan’s Polaris © Else Nylund

 

Embora imensos Bosques tenham feito parte do programa de criação nenhum deles é mais famoso que Pan’s Polaris. Polaris foi pai de 59 ninhadas com um total de 138 gatos, provavelmente até mais. Gato de um tipo fantástico, de expressão atenta e  temperamento maravilhoso, características estas que passou para os seus filhos. Ficou conhecido em todos os cantos do mundo pela sua beleza e claro pela sua famosa ponta da cauda branca. Hoje em dia, todos os Bosques que apresentam esta característica diz-se  que têm a “ponta de Polaris”, contudo nem todos os Bosques com esta particularidade estão relacionados ao mesmo.

1987: Os Bosques marcam presença nos selos de natal

1987: Os Bosques marcam presença nos selos de natal

Em 1987 a Noruega lança uma colecção de dois selos natalícios, em que num deles o Bosque da Noruega marca presença.

1989: O Bosque da Noruega chega a Portugal

Desde o início que sempre houve um grande interesse pelos gatos dos Bosques na Suécia, mas os Noruegueses queriam primeiro formar uma base de criação sólida dentro do seu país, permitindo apenas exportar gatos com 3 ou 4  gerações. Em 1977 a Noruega exportou o seu primeiro Bosque para a Suécia e desde então muitos outros se seguiram.

 

No Inverno de 1989 chega a Portugal o primeiro Bosque da Noruega, um macho vermelho, de nome Torvmyras Oddy. Alguns meses mais tarde, são importados dois machos e duas fêmeas, por Pia Grurup, que são avós e pais da maioria dos Bosques existentes no nosso país. Destes a destacar Flatland’s Copper Coin e a sua filha Afrodite’s Greta Garbo, que foi a primeira gata nascida e criada em Portugal a sagrar-se Campeã Suprema.

1991: O Primeiro Bosque da Noruega a sagrar-se campeão do mundo

1991: O Primeiro Bosque da Noruega a sagrar-se campeão do mundo

WW’91 EC Flatland’s Bjørnstierne, DM © Jette Eva Madsen

 

Em 1991, no campeonato do mundo na Áustria o primeiro Bosque da Noruega sagra-se Campeão do Mundo, WW’91 EC Flatland’s Bjørnstierne, DM! Um dia memorável onde finalmente tinha chegado a vez dos Bosques da Noruega. Bjørnstierne tinha só uma fraqueza. Ele lambia pessoas, literalmente! Não importava se gostassem ou não, nas exposições ele atirava-se aos juízes com a sua língua comprida e molhada. Este pode ter sido um dos factores para o seu sucesso, quem sabe…

2017: Exposição comemorativa dos 40 anos do reconhecimento oficial dos Bosques da Noruega

2017: Exposição comemorativa dos 40 anos do reconhecimento oficial dos Bosques da Noruega

Em 2017, em Oslo o clube Norsk Skogkattering realizou uma exposição dedicada só aos Bosques da Noruega para comemorar o seu quadragésimo aniversário enquanto raça oficialmente reconhecida. Os três juizes presentes foram Annika Berner, Raymond Saetre e Karina Bjuran, três criadores de bosques que tiveram lado a lado da raça praticamente desde o seu inicio. Foi com muita honra e orgulho que nós estivemos presentes nesta exposição, vivenciando toda uma paixão e emoção pela nossa amada raça Bosques da Noruega.

A raça tem se tornado muito popular nos últimos anos. Os Bosques da Noruega são frequentemente a raça mais representada em exposições Norueguesas e Suecas, e existe um grande crescimento desta raça no resto do continente. Na maior parte dos países da Europa os Bosques têm o seu próprio clube e hoje em dia existe Bosques da Noruega na maior parte do mundo. Nada mal para um gato que se desenvolveu nas profundezas da floresta!…

 

Referências: Skovkat, Skogkattslinguen, TNFCS, Eva Ewald (2010) – Die norwegische Waldkatze eine Sagengestalt der feliden